Alterar o “mindset” de vítima para criador é uma das primeiras mudanças que promovo nos meus clientes. Com esta alteração, naturalmente, vão-se tornando cada vez mais sensíveis à linguagem. Os “eu gostaria” transformam-se em “eu quero”; os “não consigo” em “vou começar”; os “eu devia” em “eu vou”.
O objectivo deste pequeno exercício não é utilizar os padrões de linguagem para explicar, descrever e reportar as nossas vidas. O objectivo é mesmo facilitar a transformação.
Por exemplo, na semana passada, um cliente recente que lhe vou chamar José fez a seguinte observação: “dá para acreditar no que está a acontecer à minha empresa devido ao estado da economia?” e sem se deter disparou: “Quem nos governa está a olhar por si em vez de fazer alguma coisa pelo país.”
Depois de confirmar que tinha ouvido esta e muitas outras afirmações suas, finalmente questionei-o acerca do nível de precisão das suas observações. Antes que me pudesse responder disse-lhe que independentemente da resposta que me viesse a dar, o tipo de linguagem que estava a utilizar, para além de não lhe estar a dar quelquer poder, estava a fazê-lo agir como vítima.
“O que quer dizer?” Perguntou. “Está a insinuar que não sou vítima disto? Não fui eu que criei esta situação e o meu negócio está a sofrer. Se alguém é vítima desta crise sou eu!”
Lembrei-me de uma história que um ex-colega, a que vou chamar Pedro, me contou recentemente e decidi partilhá-la com ele:
O Pedro estava numa reunião de direcção da empresa onde trabalhava. Nessa reunião o CEO exigiu que alguém admitisse culpa de um erro de compra que custou bastante dinheiro à empresa. Depois de ouvir cada responsável de departamento a desresponsabilizar-se e a “passar a bola” para o colega seguinte, o Pedro finalmente falou: "A culpa é minha, disse ele. Assumo a responsabilidade deste erro." Quando o surpreendido CEO lhe perguntou como poderia ele responsabilizar-se pelo erro, se nem sequer estava na empresa nessa altura. O Pedro respondeu: “ Bem, se alguma coisa vai ser criada a partir disto, alguém tem que assumir a responsabilidade. E já que não interessa mesmo de quem é a “culpa” do erro original, posso arcar com esse peso. Agora, que todos concordamos em quem culpar, vamos avançar para descobrirmos o que vamos fazer para dar a volta a isto daqui para a frente.”
No momento em que escolher ser criador em vez de vítima, os eventos deixam de ser más notícias (ou boas notícias) e passam a ser apenas informação – informação que pode usar para tomar decisões informadas acerca do que pretende criar.
Exercício
1. Escreva um parágrafo sobre uma situação ou área da sua vida em que gostaria que as coisas fossem diferentes.
Exemplo:
“ A minha relação é horrível. Pensei que tinha encontrado uma pessoa fantástica, mas obviamente enganei-me – o Mário é obsessivo e maldisposto. É impossível passar muito tempo com ele!“
2. Reveja o que escreveu e coloque um círculo nas frases onde culpou outras pessoas ou eventos externos pela sua experiência pessoal.
3. Reescreva a sua história como se estivesse simplesmente a reportar a sua experiência sem atribuir culpas ou responsabilidade. Na verdade a maior parte das experiências são temporárias e mutáveis.
Exemplo:
“Não estou mesmo a desfrutar da minha relação com o Mário. Eu gosto de uma série de coisas nele, mas sinto que é difícil lidar com ele pois não o sinto totalmente presente na relação.”
4. Por diversão, reescreva a sua história como se fosse verdadeiramente o criador da sua experiência. Quais são os seus objectivos/intenções na criação do que quer!
Exemplo:
“Sempre que vejo o Mário carrancudo ou lhe faço uma pergunta e apenas recebo um grunhido como resposta, começo a criar cenários de pesadelo e a imaginar como isto será horrível daqui a vinte anos. Fico mesmo muito triste e irritada, e, quando ficar com a raiva suficiente vou encontrar coragem para falar com ele acerca da situação ou então para seguir com a minha vida. O que eu quero mesmo é sentir-me feliz, independentemente do que está a acontecer com o Mário. Se ele não quiser mudar, quero-me sentir preparada e capaz de seguir em frente.”
domingo, 31 de janeiro de 2010
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Bom dia,
ResponderEliminarCuriosamente vim ter ao seu Blog quando andava a pesquisar empregos e deparei-me com "Estágio Profissional - Assistente Direcção / Comunicação". Li os requesitos e funções e penso quue captei muito bem o...espírito, facto que confirmei depois de ler o seu blog.
Calculo, porém, que terá interesse em ter como assistente uma pessoa jovem e pronta para ser profissionalmente "moldada" :) Eu tenho 40 anos mas tenho essa "abertura". Creio mesmo que a frase "a vida começa aos 40" se encaixa em mim melhor do que uma luva :) Posso gabar-me do facto de que sou uma pessoa verdadeiramente FELIZ! Acontece, porém que fiz uma pausa profissional e penso que está na altura de voltar a trabalhar e esta oportunidade seria a ideal para mim, pois creio corresponder a todos os requisitos requeridos e a função em si, bem como toda a conjuntura que a parece envolver, tem os todos os requisitos para ser bastante aliciante e positiva para mim.
Tenho muita experiência em secretariado, como office manager e comercialmente penso ser uma mais valia numa empresa. Quero recomeçar a minha vida profissional do zero e gostaria muito de fazer parte da vossa equipa.
Se estiver interessado agradeço que me contacte para: deneb_pt@hotmail.com
Um grande bem haja para a sua iniciativa, para si e para a sua equipaz e um excelente 2010 :)